terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"PAULO E A FILOSOFIA DO BAMBU!"


O Apóstolo Paulo nos ensina que é primordial ser flexível em questões indiferentes (no não essencial, nas formas e costumes) e inflexível em questões de princípio (aquilo que é essencial, os valores e princípios revelados - O Kerigma - 1 Co 9.19-20 e Gl 2.5-6). Os problemas da liderança, muitas vezes, estão ligados a má compreensão do que realmente significa, na prática, flexibilidade.

Esta é uma questão muito antiga e foi popularizada pelo poeta chinês Bai Juyi (803 dC), reconhecido por muitos como o "precursor" da "filosofia" do bambu chinês (apesar de já existir antes dele algumas idéias chinesas nos chamados "anais do bambu"). Segundo ele, as qualidades do bambu são um exemplo de comportamento humano grandioso: diante de uma tempestade, o bambu se curva, mas não se deixa quebrar, retorna à forma anterior depois de uma longa tormenta. Um símbolo de resiliência.

Já seu caule "oco" simboliza uma "mente aberta". Ou seja, para desenvolver resiliência é fundamental estar aberto a mudanças de comportamento! Resiliência é aqui demonstrada como sendo a capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação altamente crítica. Na definição do Aurélio: é "a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de tal de formação elástica". Resiliência é uma expressão pouco conhecida (e pouco praticada), mas muito necessária para uma liderança longa e saudável.

A pergunta é: onde mudar e onde não mudar? Para o apóstolo esta não é uma questão qualquer. Para ele é fundamental ter bem resolvida tal questão na cabeça e na prática do líder. Nos assim chamados "casos de concessão" em relação às idéias e práticas alheias não devemos "engessar" em relação a questões que não sejam uma obrigação moral e ética, que não sejam motivo de constrangimento à comunidade e nem envergonhem ou neguem o caráter do senhorio de Cristo. Paulo realmente se esforça nesta direção para manter o caráter conciliador (At. 21.18-27) do evangelho que anuncia e mantém como estilo de vida. Paulo não deixa dúvida quanto ao pecado.

A abertura e a flexibilidade não incluem posturas dúbias e falsas. As motivações são mais reveladoras que as ações. Em sua linha de raciocínio Paulo declara fazer tudo em "prol do evangelho" como "cooperador", ou seja, quem opera é Deus, ele apenas participa desta graça. E ainda, seu objetivo mais amplo, é a salvação do não cristão e não meramente o bem estar da maioria. O escopo é a Graça e não seu ponto de vista individual. Portanto, Paulo deixa claro que o carisma de sua liderança é um instrumento da conciliação e da evangelização. Sua postura flexível em nada compromete a exigência ética e moral do evangelho de Cristo. Antes, ao contrário, é uma demonstração prática de uma liderança servidora flexível e resiliente que glorifica o nome de Jesus!

AUTOR: Helerson Alves Nogueira
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