segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"FUGINDO DO CONSUMISMO RELIGIOSO!"


"Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim."  Salmos 131:01
 
Estes dias precisei comprar um novo celular, pois o meu não quis mais funcionar depois da última queda.

Fui até a loja para pesquisar o preço de um celular de 2 chips, esta era a minha necessidade, mas quando cheguei para falar com a vendedora ela me mostrou tantos celulares que comecei a ter a sensação de que um celular com 2 chips apenas não seria o suficiente. Precisava ter internet, touchscreen, mp3, televisão e uma série de outras coisas. No final, depois de uma luta hercúlea com o meu desejo consumista, consegui resistir e comprei o mais simples, com 2 chips.

Quando parei para perceber o que tinha acontecido, entendi que esta cultura consumista nos traz um sentimento constante de insatisfação, precisamos de algo que é mais novo, mais moderno, mas caro.

Quanto a isto o Senhor nos alerta em sua palavra: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?" Isaías 55:02a.

Cada vez mais temos a sensação de que o nosso carro não é o suficiente, o computador que acabamos de comprar já é desatualizado, a roupa que tiramos da loja já está fora de moda e por aí vai.

Consumismo religioso

O pior é que este sentimento consumista tem alcançado as nossas igrejas e a nossa prática religiosa. Nós como líderes cristãos, temos caído nesta cultura perversa do consumismo religioso que nos força a não nos contentar com o simples, o usual.

Não conseguimos ficar sem consumir algo, precisamos ter algo novo, uma unção nova, uma pregação nova, um movimento novo para saciar nossa sede de consumo e saciar a nossa membresia.
Por isto os cristãos cada vez mais estão entrando nesta roda vida de buscar a igreja com a nova onda. Se souberem que tem uma igreja nova fazendo algo diferente, é preciso consumir. Se alguém sabe que tem um "pregador novo" com uma "nova unção", é preciso consumir isto também.

Creio que é por este motivo que o meio gospel tem sido tão visado pelo mercado, porque a nossa religiosidade tem se tornado cada vez mais consumista. O salmista diz: "Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim".

A gente vê este homem indo na contramão desta tendência. Ele se aquieta no colo de Deus e espera Nele. Ele tem uma prática didática para a igreja de hoje: "Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma".

O salmista no v. 02,  diz ter aprendido a ter um sentimento simples diante de Deus; aquele sentimento de uma criança que ganha um presente e fica satisfeita com o seu e não fica olhando para o brinquedo do outro.

O problema que vejo em tudo isto é o desejo consumista que pode nascer em nosso coração como líderes. Podemos cair na tentação de querer ser um bom produto, para sermos requisitado, desejado por todas as igrejas e com um ministério maior do que os outros. Lógica de mercado.

Penso que esta lógica afeta nossa maneira de viver o nosso chamado, pois hoje começa parecer estranho alguém não querer ser o maior, o líder, aquele que tem a agenda mais lotada, o "ungidão".

Estes tempos caí em uma dessas. Eu estava pensando em uma maneira de dar um "upgrade" em nosso culto de quinta-feira. Estava achando muito simples e então pensei em mudar de nome, fazer umas campanhas e coisas parecidas. Deus logo me corrigiu dizendo que eu deveria ensinar o povo Dele a ir ao culto por causa Dele e não para consumir a nova campanha. 

Parece que hoje em dia, este sentimento de buscar algo sempre novo tem nos tirado a simplicidade do evangelho. Não nos basta mais um evangelho consistente e simples; precisamos de um evangelho de coisas sempre novas e grandiosas.

Precisamos aprender a nos contentar com o evangelho puro e simples, semelhantemente a esta palavra do salmista: "Fiz calar e sossegar minha alma".

Deus nos dê Graça.
 
AUTOR: Armando Altino da Silva Júnior.
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