sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"DEIXA MEU POVO IR!"


Temos que sair do Egito e tirar o Egito de dentro! Para sair, enfrentamos pelo menos cinco tentativas que o Egito usa para nos manter presos, todas expressas nas palavras de faraó. 

A primeira luta externa foi impondo ao povo a tarefa de "ajuntar palha" (Êxodo 05. 07, 08a).

Representando a sobrecarga em nossa vida de atividades e trabalhos inúteis que roubam nosso tempo para as coisas que têm verdadeiro valor, ao que podemos chamar de ATIVISMO.

 A segunda luta externa é contra o SINCRETISMO.

Preste atenção nas palavras de faraó: "vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, porém façam isso aqui mesmo, no Egito" (Êxodo 08. 25 - NTLH). Há uma clara intenção de intervir no culto a Deus. Cultuar a Deus dentro do Egito significa misturar-se às práticas de outras religiões ou filosofias estranhas, confusas, idólatras, que tiram a pessoalidade de Deus, introduzindo feitiçarias no lugar do relacionamento, rituais mágicos ao invés de busca de uma vida coerente com a santidade de Deus. Por causa do sincretismo é introduzido o uso supersticioso de objetos ungidos e santificados, água consagrada, relíquias, copo d'água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, óleos de Jerusalém, água do Jordão, trombetas de Gideão, cajado de Moisés, indulgências disfarçadas, amuletos, imagens de escultura.

Enfim, a criatividade usada para manter-nos no Egito não tem limites. Definitivamente, não dá pra servir a dois senhores (Mateus 06. 24) e nenhum objeto jamais substituirá o relacionamento desejável com Deus mediado única e exclusivamente por Cristo (1º Timóteo 02. 05). Também o sincretismo introduz vícios na oração, às vezes como o pagão que dá ordem aos deuses e quer manter o controle da ação; às vezes como o hindu que se entrega passivamente à fatalidade, sendo controlado pela ação.

A Bíblia nos ensina que a oração é o convite que o Senhor nos faz para nos relacionarmos com ele e participarmos da ação que ele iniciou. Não comandamos Deus, nem nos anulamos, mas nos envolvemos ativamente no curso da história. Precisamos ser libertos de todo o tipo de sincretismo em nossas vidas e em toda expressão de culto a Deus. Mas o desafio é grande, pois não podemos nos fundir ao Egito, a fim de não perder nossa identidade, nem nos isolar das pessoas que ainda habitam esse Egito, para não perder nossa relevância.

Quando o sincretismo alcança o nível da pregação, ou seja, quando o próprio púlpito torna-se proclamador da adoração a outros deuses, aí significa a institucionalização do desvio. O púlpito deve ser libertador e comprometido com a verdade do evangelho, e não refém, sem lucidez e discernimento. Mas a boa notícia é que o próprio Senhor sempre guardou pessoas que não se inclinaram aos deuses deste século (Romanos 11. 04).    

Rebeldia: Luta interior

Façamos agora um parênteses para introduzir o primeiro item que temos que tirar de dentro de nós, mesmo quando já saímos do Egito. A primeira luta interior chama-se rebeldia e está expressa tanto na história de Miriã e Arão (Números 12), quanto na revolta coordenada por Corá e mais 250 líderes em Israel (Números 16) quando se levantaram contra a autoridade de Moisés. O fato é que a experiência no Egito tinha deixado traumas profundos do abuso e exploração do poder e autoridade. Havia razão de sobra nessa história de opressão para não mais confiar em qualquer pessoa colocada em um posto de autoridade. De verdade, os rebeldes tiveram por ambição tomar o lugar do líder.

Mas o que não entenderam é que Deus havia preparado Moisés para essa posição. Sua liderança era ônus e não bônus, serviço e não exploração, doação e não recepção de benesses. Assim também em nossas vidas, mesmo quando saímos do Egito, podemos carregar o pensamento que todo o tipo de autoridade deve ser rejeitada, assim como Faraó. É necessário tirar essa marca do Egito de dentro de nós e resgatarmos a aceitação e apoio às lideranças que Deus mesmo levanta sobre nossas vidas no ambiente da família (Efésios 06. 02), no trabalho (Efésios 06. 05-09), na vida civil (Romanos 13. 01-04) e também na igreja (Hebreus 13. 07, 17).

Devemos respeitar, orar e trabalhar em conjunto com nossos líderes. 

A boa notícia é que Deus enviou o libertador. Moisés é uma figura de Cristo, nosso grande libertador. Podemos descansar na verdade que, não importa o tamanho da força do Egito e da voracidade de Faraó, "se o Filho os libertar, vocês serão, de fato, livres"  (João 08. 36 - NTLH).  Afinal, nosso Pai continua determinando: deixa meu povo ir!


AUTOR: Rodolfo Garcia Montosa 
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