terça-feira, 26 de maio de 2009

"PRECISAMOS DE MAIS PASTORES"

“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou”. 2 Tm 2.4

É impressionante o número de lideres diluindo o ministério pastoral. Faltam obreiros comprometidos com o ministério da Palavra e do apascentamento. Precisamos de mais PASTORES (com todas as letras maiúsculas) que exerçam só o ministério pastoral, que vivam na dependência de Deus. Pastores de tempo integral. Há muito trabalho para quem quer exercer o ministério integralmente.

Existe uma filosofia danosa de que somente no ministério pastoral não há muita coisa para fazer. Há também a idéia de que é constrangedor viver do ministério ou receber da igreja. Pastores que podem depender de Deus, por meio da igreja, devem se ocupar com “as coisas desta vida”? Paulo ensina que devemos nos dedicar de forma mais comprometida com a atividade pastoral. Ele diz que “o soldado não se embaraça com negócios desta vida” (2 Tm 2.4). O militar não pode se envolver com outra atividade que prejudique o exercício da segurança.

Precisamos refletir acerca da profundidade da vocação ministerial, suas implicações e o nosso compromisso. Muitos pastores do passado foram homens absorvidos pelo ministério apascentador. Homens que viviam pela fé. Deus sempre supriu suas necessidades, honrou sua confiança, suas famílias foram abençoadas, seus lares equilibrados, filhos formados, suas igrejas cresciam de forma equilibrada. Homens simples na prática ministerial.

Será que como pastores, temos, na prática, duvidado da provisão de Deus? Infelizmente, muitos obreiros não confiam na provisão de Deus para o sustento pastoral. Sou pastor há 25 anos e posso testemunhar que todo este tempo exerci o serviço pastoral de forma integral. Como é bom dependermos de Deus! Ele é infalível e jamais decepciona, é o mesmo Deus que faz milagres, o mesmo Deus que pregamos. Mas, não temos tempo para Ele. Ocupamo-nos com muitas coisas e nos esquecemos de que Ele quer o nosso tudo. Esquecemo-nos do essencial. Sabemos que o que agrada a Deus é a nossa fé (Hb 11.6). Ensinamos fé, mas não cremos que Deus pode agir nas adversidades do ministério.

Um dos meus autores prediletos, Dr. Ainden Wilson Tozer, que foi pastor de uma mega-igreja no Canadá, e um dos maiores profetas do século XX, disse: “A Igreja, neste momento, precisa de homens prontos a gastarem-se no combate das almas. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os mais fracos, da concupiscência da carne e da soberba da vida. Eles não serão forçados a fazer coisas sob pressão das circunstancias. A sua única motivação virá de dentro e de cima. Esta qualidade de liberdade é necessária, se queremos ter de novo profetas nos nossos púlpitos, em vez de mascotes. Estes homens livres servirão a Deus e a humanidade por motivos demasiado elevados para serem compreendidos pelo povo comum que se arrasta hoje para dentro e para fora do santuário. Eles não tomarão decisões com base no medo, não seguirão qualquer rumo só para satisfazer um desejo, não aceitarão qualquer serviço por razões financeiras. Não praticarão qualquer ato religioso, por mero costume. Nem permitirão a si mesmos ser influenciados por amor de publicidade ou pela ambição de uma boa reputação”. 1

A igreja necessita de pastores apaixonados pelo Senhor que os chamou; pela família, que os apóia; e pelas almas perdidas, mortas nos seus delitos e pecados. pastores cheios do amor do Pai, da graça de Cristo e do poder do Espírito Santo. Pastores de uma só tarefa, exclusiva, porque servimos a um Deus que quer exclusividade.

Não devemos dividir o ministério. Será que o Deus de ontem é diferente do Deus que atua hoje? Certamente Ele é o mesmo. Então, por que não cremos na Sua provisão para as diversas áreas da vida? Sei que há igrejas que não valorizam seus pastores. Estou certo que há muita infidelidade dentro das igrejas. Também que há muitos líderes dissimulados, céticos, que prejudicam os pastores. Nós sempre os teremos. Isto é bíblico. Contudo, precisamos ir contra a maré da infidelidade, acomodação, falta de visão e frieza. É mister que leiamos mais as epístolas pastorais, os profetas e a vida de Jesus. As biografias também nos estimulam a continuar a trabalhar nesta obra tão extraordinária mesmo sendo homens tão comuns. Que exerçamos o ministério de joelhos, na total dependência do Pai!

Apreciei muito o que Thomas Watson, um pastor puritano inglês, pregou no seu ultimo sermão em 24 de agosto de 1662, quando a igreja oficial da Inglaterra estabeleceu uma lei para que os puritanos parassem com a sua pregação ousada e se adequassem à liturgia anglicana. Ele, sabendo deste fato, disse: “Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para suas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vocês, para as quais desejo a mais especial atenção”. Dentre as vinte orientações de Watson, gostaria de destacar algumas:
1) Antes de tudo, observa suas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem ‘separado’ (Sl 4.3);
2) Cuidado com o que ouve;
3) Segue a sinceridade;
4) Nunca se esqueça da prática do auto-exame;
5) Mantém vigilância quanto à sua vida espiritual;
6) Que o seu coração seja elevado acima do mundo (Cl 3.2);
7) Busque consolação nas promessas de Deus;
8) Não seja ocioso, mas trabalhe para ter o seu sustento. O pastor deve se afadigar no estudo e no ensino da Palavra.
9) Sirva a Deus com todas as suas forças;
10) Medite todos os dias sobre a eternidade. 2

Que preciosos conselhos para um ministério bem sucedido!

Autor: Oswaldo Luiz Gomes Jacob
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